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Certo dia desses, deparei-me com um vídeo na internet. Era uma música. Ou tentava ser… Era hilário. O título desta pérola: “Dança do quadrado”. O refrão afirma: “ado, aado, cada um no seu quadrado”. Quatro figuras estrambólicas permanecem cada um em seu quadrado, efetuando as mais mirabolantes danças possíveis. Meu filho achou o máximo.
Os relacionamentos humanos são como este vídeo. Cada um no seu quadrado.
Ao mesmo tempo que são o maior tesouro que o ser humano possui, os relacionamentos são, também, a sua maior dificuldade. Relacionamentos saudáveis ajudam a desenvolver pessoas equilibradas, enquanto relacionamentos confusos contribuem para a formação de pessoas doentes e machucadas. Há um medo de se relacionar.
Na realidade, esse medo é fruto de um outro medo mais interior ainda: o medo de ser rejeitado. Todos nós sofremos decepções e frustrações em nossos relacionamentos, desde pequenos. Com isso, desenvolvemos proteções; cascas que nos isolem da possi-bilidade de sofrermos novamente e de nos sentirmos usados ou humilhados. “Ado, aado, cada um no seu quadrado”. As pessoas escondem-se em uma série de ativismos como substitutos insatisfatórios para os relacionamentos, pois as pessoas tornam-se “ocupadas” demais para cultivar amizades.
Esse medo tem levado as pessoas a um individualismo sufocante e alienante da realidade do outro e da realidade de Deus. Com isso, vivemos dias de intenso consumismo e busca desenfreada pelo prazer. O resultado de toda essa trajetória egocêntrica é o desmoronamento de relacionamentos. É um ciclo vicioso que tem alimentado este enfraquecimento dos relacionamentos.
Como igreja em Células, entendemos que as Células, nos ajudam a termos os olhos voltados para Deus e para o próximo, libertando-nos do individualismo. A música é outra: “Bom estarmos aqui, louvando a Deus…”
O aspecto comunitário das Células nos permite estar abertos a Deus e ao outro. Henri Nouwen, afirmou certa vez sobre a importância da comunhão: “a comunhão nos torna pessoas; isto é, pessoas que estão ressoando umas nas outras (a palavra latina personare significa ‘soar através’). Na verdadeira comunhão, somos janelas oferecendo, umas às outras, novas visões do mistério da presença de Deus em nossas vidas”.
O relacionamento nas Células envolve uma aproximação intencional dos nossos irmãos na fé, para aprendermos a ser libertos deste processo de individualização. Um antigo ditado na língua xhosa afirma: “Pessoas precisam de pessoas para serem pessoas”. Este é o desafio das Células: ser um ambiente onde as pessoas possam tornar-se pessoas, com o aprendizado mútuo e a troca de experiências.
No convívio, aprendemos a interpretar corretamente nossa vida: quem somos. Olhamos para o outro e nos identificamos em suas crises e vitórias. Entendemos que Cristianismo não é o ajuntamento de santos (como pessoas que não pecam), mas de pecadores (que precisam da graça de Deus).
Você ainda não está em Células? Permita-se ser instrumento de Deus na vida dos outros. Permita-se, também, ser abençoado com a presença de Deus na vida do outro. Saia do seu quadrado e abra-se a Deus e ao próximo.