» Maringá, 06 de Setembro de 2010 Buscar

Boletim Semanal
"O CHORO E SEUS SABORES"

20/09/2009
Pr. Eugênio Anunciação

Há alguns minutos, fui pegar meu filho na escola. Ele estuda no “primeiro-ano-de-nove”. É uma nomenclatura recente desenvolvida pelo MEC. Na minha época era apenas Jardim de Infância, Pré-Escola e a partir daí, as séries do primeiro e segundo graus e a universidade. Eu comecei minha carreira de estudante na Pré-Escola. Uma das aulas que ficaram gravadas na minha memória, aconteceu numa manhã fria, quando as professoras foram nos ensinar a diferença entre salgado e doce. Elas mergulharam a ponta de seus dedos congelados, em um punhado de sal e de açúcar e, alternadamente, tocavam a ponta de nossa língua, para que aprendêssemos a identificar tal diferença.
Apesar de serem semelhantes em sua aparência, a diferença entre o sal e o açúcar só era percebida pela língua. Aquilo que os olhos não conseguiam distinguir, era compreendido por outro órgão de percepção humana.
É assim também com o choro. Alguns podem afirmar que choro é choro e ponto final, molhado e salgado… Entretanto, o sabor do choro não está em sua composição química, mas em sua composição emocional e de fé.
Há choros que, de tão intensos, tem o doce sabor de alívio. É o choro que lava a alma, expurga a dor e elimina as culpas. É o peso que está sendo carregado há muito tempo: responsabilidades, decisões a serem tomadas, sentimentos a serem expostos, perdão a ser dado e pedido… A doçura reside na esperança de que todo esse peso será aliviado por Deus. Outros choros, também intensos, carregam em si, o amargo sabor da frustração. É a percepção de que as coisas não caminham da maneira como planejávamos. É o choro do medo e do receio de que tudo vá por água abaixo… É o fel do desespero.
Assim como o sal e o açúcar, a olhos nus, não possuem diferença alguma, esses choros parecem ser iguais: molhados e salgados. Aquilo que os olhos não conseguem distinguir, só podem ser percebidos com outros olhos. Com os olhos da fé.
Pedro chorou amargamente ao negar Jesus três vezes (Lucas 22.62). Frustração. Seus sonhos foram por água abaixo. Desespero. Mas, até mesmo o choro mais amargurado e desesperançado pode ser transformado em um doce choro.
Os olhos da fé nos permitem continuar, apesar das circunstâncias adversas, na certeza daquilo que não pode ser visto: aqueles que semeiam com lágrimas, com cantos de alegria colherão (Salmo 126), pois Deus enxugará dos seus olhos toda a lágrima (Apocalipse 7.17). Doce esperança!

2010 Direitos Reservados - 1ª IPI de Maringá - Avenida Tiradentes, 853 – Centro – 87013-260 – Fone: (44) 3028 4888 – Maringá – Paraná