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Boletim Semanal
"CONFIANTEMENTE"

07/02/2010
Marcelo Gomes

Um famoso equilibrista chegou à cidade prometendo um espetáculo para o público. Esticou um cabo de aço entre os dois maiores edifícios da avenida central e passava de um lado para o outro. Empurrando uma carriola, conduzia objetos, animais e tudo que coubesse na caçamba. Não derrubava nada e sequer desequilibrava. Aqueles moradores jamais viram pessoa tão habilidosa e segura.

Dezenas de vezes depois, quando os presentes já não tinham dúvidas sobre a capacidade do equilibrista, ele parou no meio da caminhada. Olhou para a multidão e, certo da resposta, perguntou: “todos aqui acreditam que posso passar de um lado ao outro, empurrando a carriola e carregando nela o que quiser”? “Sim” – o povo respondeu unânime. O equilibrista continuou: “Alguém gostaria de ser voluntário para entrar na carriola”? Ninguém se ofereceu.

Ouvi esta ilustração dia desses. Fala da diferença entre a fé como um “dar crédito” e a fé como um “ter confiança”. Dar crédito significa acreditar na possibilidade, aceitar o que foi dito ou concordar com o que está posto, ainda que não se faça nenhuma relação com a vida. Ter confiança, no entanto, significa dar crédito a ponto de comprometer a própria existência, dar passos, mudar rumos ou submeter-se. Entregar tudo. Descansar naquela segurança que providência pessoal alguma pode alcançar.

Há quem não se oponha acreditar nas promessas de Deus, seu poder ou sua soberania. Há quem não duvide dos conteúdos da Palavra ou de sua importância para os dias atuais. Há quem leia a Bíblia todos os dias e faça orações com regularidade. Mas mesmo entre estes pode haver quem relute em entregar seus sonhos, anseios, preocupações e temores. Na hora da dificuldade, desesperam-se, movimentam-se, tentam assumir o controle e resolver tudo do próprio jeito. Dão crédito, mas não confiam.

Não fomos chamados para a simples contemplação dos feitos maravilhosos de Deus; fomos chamados para dentro de sua “carriola”, controle, reinado. Uma vez com ele, sobre esta tênue linha em que nos movemos e existimos, resta-nos entregar as angústias, medos e expectativas, certos de que não nos deixará cair. Podemos até pedir que nos conduza com cuidado e mesmo segurar seus braços amorosos quando sentirmos que o risco aumentou. Mas não podemos pular. Temos que seguir até o fim.

E também não precisamos balançar a carriola. Não será bom para nós...
 

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