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Boletim Semanal
"ADORA?AO SENSORIAL"

30/05/2010
Pr. Jonatas Liasch
Como poderíamos saber que a presença pessoal de Cristo existe sem que ao menos sentíssemos qualquer sinal dela? Somos treinados a “sentir” Jesus. Se houver emoção durante a liturgia, Deus está presente. Nossa adoração tem sido mais sensorial e performática do que contemplativa e relacional. Enquadramos Jesus no nosso protótipo de adoração. A maior parte das crenças sobre a adoração está fundamentada na sensibilidade da “presença” de Deus. 
A maneira como adoramos é que tem dado significado à existência de Deus, não o contrário, como dizem as Escrituras. Alan Jones, em seu livro “Soul making: the desert way of spirituality”, fez o seguinte comentário: “A pergunta é: adoro a Deus ou a minha experiência com Deus? Adoro a Deus ou a idéia que faço dele? Se quero evitar uma abordagem narcótica à religião que me compele de uma experiência a outra na esperança de coisas maiores e melhores, devo saber no que creio à parte dos sentimentos agradáveis ou torpes que podem ou não acompanhar essa crença.”
Entendo que sentir a presença de Deus está mais relacionado a perceber a carência do irmão ao lado do que necessariamente notar uma manifestação mística no culto, ainda que esta seja possível e verdadeira. Sentir a presença de Deus é mais o reconhecimento da minha fragilidade e necessidade de Sua Graça do que tomar conhecimento de uma percepção alegórica num evento religioso. Sentir a presença de Deus é saber que ele está aqui, agora, mesmo que nenhum dos meus sentidos seja acionado. Uma vez que Jesus disse “onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles” (Mt 18.20), mesmo que aqueles “dois ou três” sejam surdos, mudos, cegos, desprovidos de tato e olfato, tudo ao mesmo tempo, e ainda, estejam em estado de coma profundo, Cristo de fato está presente.
A fé libertadora só pode se manifestar livremente fora das crenças que criamos na prática cristã. A religação deve ser pela fé, não pelos modismos, padrões e sensações. Adoração deve manifestar-se pela fé e não pelas crenças denominacionais e práticas do homem. Depende muito da Graça, da alegria e da naturalidade de servir a Deus. É bem verdade que a ação direta de Deus pode provocar manifestações sensitivas em muitas circunstâncias. Negar isso seria anular os relatos extraordinários da Bíblia Sagrada e de seguidores sinceros de Cristo. Entretanto, saber diferenciar as aparições legítimas de Deus das dramáticas impressões atribuídas à sua presença nos nossos rituais define a verdadeira adoração.
 
 

 

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