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Boletim Semanal
"AUTORIDADE ESPIRITUAL"

09/07/2010
Pr. Marcelo Gomes

Depois de dizer isto, Jesus olhou para o céu e orou: Pai, chegou a hora. Glorifica o teu filho para que ele também te glorifique. Pois lhe deste autoridade sobre toda a humanidade, para que conceda a vida eterna a todos os que lhe deste (Jo 17:1-2).
O conceito de autoridade é diferente do conceito de poder. Este é potência ou habilidade; aquela, simplesmente “direito”. Autoridade não é capacidade pessoal de realização, mas direito adquirido para ordenar realizações. Em outras palavras, autoridade é aquela condição que coloca um indivíduo, cargo ou instituição acima de qualquer poder.
Vamos ilustrar: conta-se que certo comandante de exército foi preso por seus inimigos e confinado a um campo de concentração. No decorrer das batalhas, porém, suas companhias sobrepujaram as forças de seus adversários e seu país venceu a guerra. Mas ele e alguns de seus soldados continuavam presos, guardados por forte esquema de segurança, com soldados armados, e ignorando o final dos combates.
Ao ser informado do fim da guerra e da vitória alcançada por sua nação, aquele comandante, homem já velho e sem grande energia física, dirigiu-se ao líder do campo de concentração e declarou-lhe: “A guerra acabou. Nós vencemos. Você está preso”. Incrível! Naquele momento, o líder do campo tinha grande poder sobre aquele velho comandante (armas, muito mais homens, etc.), mas o general tinha grande autoridade. Autoridade de vencedor.
Mas poder e a autoridade não são realidades desconexas ou excludentes. O poder está inserido na autoridade. O contrário que não é, necessariamente, verdadeiro. Uma autoridade constituída recebe respaldo das estruturas de poder, para que se afirme mesmo em situações de oposição ou confronto (o general contou com o poder do exército que venceu a guerra). Contudo, a verdadeira autoridade é respeitada sem que o uso do poder se faça necessário.
Por esta razão, o Novo Testamento trata de autoridade. O termo grego assim traduzido é “exousia”, que também pode significar “direito, poder para dar ordens, liberdade de escolha”. Não raro, está vinculado à soberania e ao poder de Deus, de quem emana toda a autoridade. O próprio Satanás, sobre quem se diz, em algumas situações, que também exerce autoridade (Lc 22:53), necessita da autorização de Deus para a realização de seus desígnios (Jó 1:12).
A autoridade satânica está ligada à perda da autoridade humana em decorrência de seu fracasso na tentação. Deus dera ao homem a terra e seus cuidados (Gn 2:15 e Sl 115:16). Contudo, o pecado, resultante da combinação destrutiva entre tentação e orgulho, desembocou no prejuízo do exercício desta autoridade. Nas palavras do próprio diabo: Todos os reinos e toda a autoridade deles te darei... pois tudo me foi entregue e o dou a quem quiser (Lc 4:6). Jesus chamou-o de “príncipe deste mundo” (Jo 14:30).
A resposta de Deus veio na pessoa de Jesus. Se o pecado trouxe o preço da morte e da perda de autoridade para tantos quantos pecaram à semelhança de Adão (Rm 5:12), a morte vicária de Cristo, em nosso lugar, trouxe-nos de volta a possibilidade da vida e da alegria, bem como recuperou a autoridade sobre todas as coisas. Pelo poder de Sua ressurreição, Jesus pôde declarar: Toda autoridade me foi dada nos céus e na terra... (Mt 28:18). O sofrimento e a exaltação de Cristo significaram a derrota definitiva do diabo e a retirada de toda sua autoridade, pois todos os seus inimigos foram colocados por estrado de seus pés.
Com Jesus, o crente é revestido de autoridade especial. Não imanente ou meritória, mas recebida numa relação de entrega e dependência. Depois de dizer: Toda autoridade me foi dada, disse: ide, fazei discípulos... batizando-os... ensinando-os... (Mt 28:19). Autoridade é missão, desafio de obediência e fé, na certeza da presença constante do Senhor: eis que estou convosco todos os dias, até o fim dos séculos (Mt 28:20).
A autoridade de Cristo na vida do crente é caminho de vitória na luta contra o mundo, o pecado e o diabo. O pecado, como desde a origem, abre as portas para o maligno. A obediência e a fé abrem as portas para uma vida de bênçãos e poder no Espírito Santo. Nossa autoridade é a autoridade do amor de Deus revelado em Cristo; nesse amor vencemos e somos desafiados a não temer (1 Jo 4:18). Vivamos na autoridade do nome de Jesus Cristo, nome acima de todo nome, a fim de que sejamos revestidos de Seu poder e participemos de Sua vitória.
 

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