
O famoso “jeitinho brasileiro” entrou para a história como uma filosofia de vida: é o esforço por obter vantagem em tudo: na política, na economia, no comércio e até nos relacionamentos pessoais. A pergunta é sempre a mesma: “o que é que eu ganho com isso?”.
Esse “jeitinho” – que, diga-se de passagem, não é uma exclusividade do brasileiro – encontrou seu espaço na fé. Inclusive na fé cristã. Faz com que os crentes aceitem o desafio de um relacionamento com Deus por causa da expectativa de um retorno vantajoso. Jesus é reconhecido apenas como salvador e não como Senhor.
Mas a prática equivocada das pessoas não invalida a verdade eterna da Palavra de Deus. De fato, Deus é Deus de bênçãos. Embora não devamos nos aproximar dEle com interesses mesquinhos e egoístas, devemos, sim, crer que por Sua graça e bondade nos abençoará. Pois, “Aquele que não negou Seu próprio filho”, também não negará qualquer outro bem.
É assim que devemos ler o salmo 16: como um cântico de exaltação de uma vida na presença de Deus. Vale a pena andar com Deus. É tanta a convicção do salmista, que diz: Tu és meu Senhor, outro bem não possuo. Seu entusiasmo é tão grande, que considera “notáveis” somente aquelas pessoas que vivem para Deus (quanto aos santos que há na terra, são os notáveis). E se alguém pensa diferente, ou vive de modo diferente, uma advertência: muitas serão as penas dos que trocam o Senhor por outros deuses. A verdadeira alegria consiste no privilégio de andar na presença de Deus (na tua presença há plenitude de alegria).
Tais declarações têm razões muito claras:
Em primeiro lugar, o salmista sabe que seu Deus é um conselheiro maravilhoso (bendigo o Senhor que me aconselha...). Ninguém é capaz de orientar com tanta segurança, carinho e competência como o Senhor. Com Ele, até o sono se transforma em aprendizado.
Em segundo lugar, o salmista confia que Deus jamais abandona seus filhos (o Senhor, tenho-o sempre à minha presença). Por mais que sejamos maus e pecadores – e somos, Deus não se afasta de nós e nem retira de nós Seu Espírito. Deus é fiel!
Em terceiro lugar, o salmista reconhece que Deus é certeza de proteção (não serei abalado...). Ainda que as lutas sejam reais na vida do crente, o Senhor o livra em todas elas. Em seu amor estamos firmemente seguros.
Finalmente, o salmista sabe que Deus reserva uma herança (é mui linda a minha herança... não deixarás a minha alma na morte...). Em Deus a esperança é, ao mesmo tempo, uma certeza. Em Deus, o futuro está garantido por suas promessas.
Vale a pena viver para Deus. Vale a pena viver para Jesus Cristo. Ele revelou-nos o conselho de Deus. Lembrou-nos que Deus se importa. Garantiu-nos a proteção que precisamos. Reforçou-nos a promessa da Herança. Que Jesus Cristo seja sempre nossa maior alegria.