
Esta semana fomos todos surpreendidos por uma série de matérias exibidas no Jornal Nacional, a respeito das obras sociais realizadas por diversas igrejas evangélicas. Não lembro qual a última vez que a Rede Globo de Televisão apresentou algo do movimento evangélico com tanto destaque e simpatia. Não sei se houve outra vez. Acostumei-me com reportagens geralmente denunciatórias ou, no máximo, de caráter exclusivamente informacional, sempre às pressas, isentas de juízo de valor. Especialmente, após o embate com a Rede Record de Televisão, adquirida em 1989 pela Igreja Universal do Reino de Deus. Sobraram acusações de ambos os lados.
Reconheço que as matérias deixaram a desejar em precisão e abrangência. Imprecisas, tiveram dificuldades para distinguir entre igrejas pentecostais e históricas, confundindo umas e outras em razão de generalizações como batistas, presbiterianos e metodistas (que podem ser “tradicionais”, independentes, renovados, etc). Limitadas, fizeram parecer, para quem não conhece as igrejas evangélicas, que cada grande denominação realiza apenas uma obra social específica, particular. Ainda assim, abriram espaço para uma valorização do papel social da igreja e evidenciaram a forte ênfase assistencial que o cristianismo produz no coração de seus fiéis.
Pessoalmente, fiquei muito feliz com a reportagem envolvendo a Missão Caiuá, fruto de uma parceria entre a Igreja Presbiteriana do Brasil com a Igreja Presbiteriana Independente, nossa denominação. O Conselho Missionário da 1ª IPI de Maringá participa no sustento de missionários daquela Missão. Recentemente, contribuiu na construção de um templo para cultos ao Senhor numa das aldeias caiuás.
Perguntaram-me o que estaria acontecendo. Serão sinais de um tão aguardado avivamento? Será uma estratégia empresarial, comercial ou publicitária, motivada pelo crescimento do número de evangélicos nos últimos anos, como foi indicado, inclusive, na apresentação da série em questão? Será um pouco de tudo? Creio que sim. Crescemos muito nas últimas décadas. Beiramos 20% da população. Temos visibilidade, formamos opinião e, principalmente (para os meios de mídia), consumimos bastante. Por outro lado, sabemos que Deus é soberano, que está no controle de todas as coisas e que é especialista em quebrar barreiras de inimizade.
Com o passar do tempo teremos mais informações, é verdade. Mas não podemos perder a oportunidade que temos em mãos. Nossa visibilidade e influência não podem ser mecanismos de poder ou barganha; devem ser incentivo ao trabalho missionário ainda mais dedicado e ao ânimo redobrado no servir. Se até a mais poderosa emissora de TV abriu suas portas para nossa presença abençoadora e amorosa, que porta não se abrirá diante da força da mensagem do evangelho integral? Acredito que devemos intensificar nossas orações e abraçar ainda melhor nossa missão. Deus é Fiel.
Por último, vale uma lembrança sobre o desafio da unidade da igreja. Nada como a obra missionária e diaconal para nos fazer ver que nossas diferenças não podem nos separar ou arrefecer nosso amor. Se nos amarmos acima das diferenças, saberão que somos discípulos de Cristo. E as nações verão a sua Justiça e a sua Glória.